quinta-feira, 23 de abril de 2009

Michelangelo Antonioni Contra o Neorealismo por Rubens


Não consigo entender, como alguém pode sequer aproximar “O Passageiro: Profissão Repórter” do Movimento Neo-Realista.
Ora, também leio que, por causa da Trilogia da Incomunicabilidade (A Aventura, A Noite, O Ecplise) em relação a famosa Trilogia do Silêncio de Ingmar Bergman, muitos dizem ser Antonioni o Bergman italiano, que absurdo!!
Bergman se pautava sobre a subjetividade na maioria de sua obra, enquanto Antonioni era pura objetividade.
Não me atrevo a tomar partido nem de um nem de outro (e nem é preciso, seria estupidez), mas tenho consciência que a arte dos dois somadas, ultrapassam, e muito, dezenas e dezenas de diretores, que sequer sabem o que é, realmente, arte no cinema.
Também, e concluo a minha metida de colher enferrujada nesta história, o cinema de Antonioni não tem nada a ver com os problemas sociais da época (Neo-Realismo), mas, sim, um cinema pautado no indivíduo, com grande destaque ao vazio existencial das pessoas, não como as dificuldades de relacionamentos visto em Bergman, mas a própria incomunicabilidade dos personagens, gerando imensos vazios e um silêncio aterrador.
É verdade que Antonioni “nasceu” em berço neo-realista, mas logo rompeu (assim como Federico Fellini) o cordão umbilical e “criou” o seu próprio cinema, hoje, acertadamente chamado de Cinema Moderno Italiano.
E principalmente “Blow Up” e “Profissão Repórter”, caracterizam a sua maturidade profissional, não deixando dúvidas de que, a sua obra, é única e original.
E, especialmente “Profissão Repórter”, sintetiza a linguagem deste cinema moderno. Um cinema em que seu maior propagador não tinha medo nem do silêncio e nem do vazio (imagine uma cena com 10 minutos de puro silêncio!), lacunas estas que fazem parte das experiências dos indivíduos inseridos neste mundo, mas que, no entanto, o cinema (nem digo o comercial) era (ou ainda é!!) totalmente indiferente.
Antonioni, logo no início de sua carreira, deixou a bicicleta de lado (alusão ao clássico neo-realista) e passou a perscrutar o que havia no espírito e no coração do homem de quem roubaram a bicicleta!

Rubens.

Um comentário:

  1. Oi,

    Muito me elogia as suas palavras e o fato de ter postado um simples e breve comentário meu, obrigado.
    Como você já sabe; esteja a vontade sobre qualquer texto sobre meu blog, ok?
    Se eu puder ajudar em mais alguma coisa ...

    Um abração.

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