sábado, 11 de abril de 2009

O Pesadelo mais Político do Diretor Ingmar Bergman


Ingmar Bergman havia iniciado os anos 1970 com "A Paixão de Ana", flertou com Hollywood em "A Hora do Amor" e, em 1973, atingiu a culminância do seu cinema com a obra-prima "Gritos e Sussurros". Era um autor no auge, que prosseguiu com "Cenas de Um Casamento", "A Flauta Mágica" e "Sonata de Outono" e, então, de repente, sua vida virou um pesadelo. Bergman envolveu-se num imbróglio com o fisco sueco. Foi acusado de sonegação de impostos. Para fugir à prisão, isolou-se na Alemanha. Ele próprio admitiu, mais tarde, que essa foi a pior fase de sua vida.
O diretor que filmava a angústia existencial, o que chamava de "dor de dentes na alma", experimentou um deslocamento que nunca sentira. Na Alemanha, como "futurólogo do passado", fez "O Ovo da Serpente", em 1979. O filme desconcertou mesmo os admiradores mais fiéis, que não estavam acostumados a ver Bergman tão comprometido com a discussão de temas políticos, pois o ovo da serpente a que se refere o título é a gênese do nazismo.
Bergman dizia que, sendo filho de pastor religioso, absorveu o cristianismo com o leite materno. O sexo e a culpa eram indissociáveis para ele. Em seus filmes, o gozo fugaz vira tormento permanente. "O Ovo da Serpente" trata da marcha do nazismo sobre Berlim, no emblemático ano de 1923, vista pelo ângulo da vida cotidiana de um judeu e uma cantora de café concerto. São acossados pela inflação e pelo bolchevismo. Essa história terminou assimilando outra que Bergman queria contar há tempos, sobre dois trapezistas obrigados a ficar em Varsóvia, durante a 2ª Guerra.
"O Ovo da Serpente" causou estranhamento há 30 anos. Um Bergman "diferente", diziam os críticos, um tanto desapontados. Há hoje um movimento para reabilitar "O Ovo da Serpente" na obra do autor. Durante a Semana Bergman, em Farö, no ano passado, novos estudos redimensionaram o filme. "O Ovo da Serpente" virou agora obra profética. Bergman, um visionário? Ao mirar no nazismo, ele teria flagrado a gênese do neoliberalismo, por meio da importância que o dinheiro tem na trama. Liv Ullman e David Carradine formam a dupla principal. Fonte

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